quarta-feira, 18 de abril de 2012

O que são Formas-Pensamento?

O que são Formas-Pensamento?


Forma-pensamento é um termo usado para explicar uma forma de energia que pode ser manifestada através de esforços psíquicos de uma pessoa ou um grupo delas.



Formas-pensamentos nada mais são, como o próprio nome sugere, que um pensamento que adquiriu forma física, muitas vezes visível e suavemente táteis a outrem. A crença na forma-pensamento existe em muitas culturas, especialmente na Ásia Central e do Sul, como o Butão, Nepal, China, Índia e Mongólia. Regiões que acreditam em práticas xamânicas também têm suas versões dessas formas-pensamento. Na Austrália, existem práticas com formas-pensamento que se originaram de tribos aborígenes. Em nativos americanos nos Estados Unidos, o Cherokee também se trata da  capacidade espiritual para criar formas-pensamento.

O budismo tibetano é uma religião que está fortemente enraizada na meditação e na compreensão da energia vital. Todos os organismos vivos possuem a energia da vida, é forte em alguns organismos, e fraco em outros. Através da prática correta e meditação, os humanos podem aprender a perceber esta energia com todos os seus sentidos, e em alguns aspectos, pode ser capaz de controlá-lo. Os esforços coletivos de um grupo pode produzir mais dessa energia, em comparação a um único indivíduo. 


A essência da Tulpa tibetano reside na capacidade humana de realizar pensamento. Através de foco e concentração, o que é apenas espiritual ou invisível pode se manifestar em uma forma física. Os tibetanos acreditam que uma Tulpa é um fantasma ou aparição de uma pessoa viva, existentes no mundo etérico ou espiritual. Como uma pessoa QUER que a Tulpa exista, ela tem a possibilidade de ser vista por outras pessoas.Tulpas podem estar nas formas de animais, criaturas míticas, e também de seres humanos. Há relatos de pessoas que praticam estas visualizações, e foram capazes de tirar fotos digitais de si mesmas com suas tulpas.

Os relatos mais notáveis de criação de formas-pensamentos, são os de origem tibetana. Onde são chamadas de “fantasmas de estimação” (tradução grosseira para Tulpa). O relato mais famoso, e autêntico de que se tem registro é o da tulpa criada por Alexandra David-Néel, uma jornalista e cantora de ópera  francesa, que decidiu sair pelo mundo em busca de conhecimento e “aventuras”.
Alexandra David-Néel

Numa dessas viagens facinou-se pelo Tibet e lá ficou por anos, tendo sido a primeira mulher ocidental a visitar Lhasa.Graças a ela conhecemos muito da filosofia e ritos orientais.

Uma das muitas técnicas místicas que ela estudou foi o de criação Tulpa, que de acordo com as doutrinas tradicionais tibetanas, é uma entidade criada por um ato de imaginação, numa comparação um tanto quanto esdrúxula são um pouco como as personagens de ficção de um romancista, exceto que tulpas não são escritas ou desenhadas, mas somente imaginadas. David-Neel ficou tão interessada no conceito que ela decidiu tentar criar uma. 


O método envolvido era essencialmente concentração intensa e visualização. A  Tulpa de David-Neel começou sua existência como um gordo monge bochechudo e bondoso. A princípio, foi totalmente subjetivo, mas gradualmente, com a prática, ela foi capaz de visualizar o Tulpa lá fora, como um fantasma imaginário sobre o mundo real.

Em tempo, a visão cresceu em clareza e substância, até que fosse indistinguível da realidade física, uma espécie de auto-indução de alucinação. Mas chegou o dia quando a alucinação escorregou de seu controle consciente. Ela descobriu que o monge iria aparecer de vez em quando, quando ela não tivesse desejado isso. Além disso sua figura simpática pouco a pouco foi emagrecendo e assumindo um aspecto distintamente sinistro.



Eventualmente, seus companheiros, que se desconhecem as disciplinas mentais que ela estava praticando, começou a perguntar sobre o "estranho" que tinha aparecido em sua indicação,ficou, então,claro que a criatura não era mais a imaginação de Alexandra, mas sim tinha se solidificado na realidade objetiva e definida.

Neste momento, David-Neel percebeu que as coisas tinham ido longe demais e aplicou técnicas lamaístas diferentes para reabsorver a criatura em sua própria mente. O Tulpa revelou-se muito resistente para enfrentar a destruição dessa forma de modo que o processo demorou várias semanas e deixou sua criadora esgotado.
Alexandra e sua Tulpa

Os diversos relatos que se tem de Tulpas, não possuem finais felizes. A tulpa é um ser astral, porém sem a Alma propriamente dita, o que abre uma brecha para que outros seres possam habitar as formas-pensamentos, ou simplesmente estas ultimas podem adiquirir vontade e características próprias que nem sempre são boas. Eu, e mais uma dezena de estudiosos de formas-pensamentos acreditamos que, na maioria dos casos, as formas pensamentos são ocupadas, quando atingem o auge de sua força e forma material, por larvas astrais, o que ocasiona o comportamento indesejado e de tendências ao Baixo Astral.

Cabe ressaltar que, as Tulpas, não são nem de longe as únicas formas-pensamento existentes. Há uma variedade de outras. Um outro exemplo são os familiares criados através do mesmo princípio de meditação e visualizações e as egrégoras. As egrégoras não possuem uma forma definida, são como uma espécie de nuvem criada pelo pensamento coletivo e situam-se em lugares de convivência social ou privada. As egrégoras seriam como a “vida” de um ambiente, a energia que soa no mesmo timbre das pessoas que habitam ou freqüentam aquele lugar. É uma forma-pensamento formada de forma geralmente coletiva e inconsciente.

Posteriormente farei um post especialmente voltado para egrégoras e como podemos estabiliza-las ou criá-las. Já no próximo post colocarei um fragmento do obra de Alexandra David-Néel, Magia e Mistério no Tibet, mais precisamente do capítulo no qual ela narra sua experiência com sua Tulpa-Monge ‘Gorducho’ como costumava chamar.


Até a Breve amigos,

                                        R.R.L.Convoitise

quarta-feira, 14 de março de 2012

O Matriarcado, terá realmente existido?

Existiu o Matriarcado?

No século XIX, vários antropólogos e até um eminente teórico do socialismo moderno, acolhendo as idéias de Darwin, defenderam a existência num tempo remoto da humanidade do sistema do matriarcado, uma organização social inteiramente predominada por mulheres. Leia a seguir suas principais conclusões.

Uma Mãe de 25 Mil Anos
A "Vênus" do Paleolítico, um ícone
 da maternidade.

A cabeça dela era indefinível, uma bola escamada, sem narinas, sem olhos, boca ou orelhas, mas os seus seios e o seu abdômen eram imensos, inflados, colossais. Tratava-se de um pequena estátua (11.1 cm de altura) encontrada nas proximidades de Willendorf na Áustria, em 1908. Visivelmente era de uma mulher prestes a dar a luz, uma estatueta de uma futura mãe. Chamaram-na ironicamente de Vênus de Willendorf. Posteriormente, o pequeno objeto, submetido às perícias do carbono 14, um quase exato método científico que apura a idade dos achados, revelou que aquela senhora esculpida com as primitivas ferramentas de um Cellini do Paleolítico Superior datava de 24 ou 25.000 anos atrás! Não havia nela nem um só traço de beleza. Nenhuma exaltação à feminilidade ou à graça da mulher. Aquele que a modelou, talvez um xamã, um sacerdote-artista, viu-a apenas na sua função mais natural, a mais primitiva da mulher: gerar filhos. Terem-na cinzelado naquele estado pré-natal, sem nenhuma preocupação estética, segundo os antropólogos, revelava que a exclusiva preocupação daquela remotíssima sociedade, era com a reprodução da espécie. A estátua era um pleito às forças mágicas ou divinas. Desenharam-na redonda, em formas abundantes, porque esperavam que as mulheres dessem filhos e mais filhos à tribo. A mulher era a usina da vida, de cujo ventre saltavam os guerreiros e os caçadores do clã.

A Teoria do Matriarcado

Ter sido a de uma mulher, de uma mãe, a mais antiga estátua até então encontrada na Europa, quiçá no mundo todo, só fez por reforçar as teorias antropológicas do século XIX, que apontavam para a existência do matriarcado, como a mais remota forma de organização social conhecida. O mais singular defensor dessa teoria, a Teoria do Matriarcado, foi o antropólogo suíço J.J Banhofen, um admirador de Darwin. Desde que as idéias do grande naturalista tomaram corpo, com a difusão da Origem das Espécies, publicada por Charles Darwin em 1859, trataram todos de alinhar na história, na religião, na sociologia e na economia numa classificação evolucionista. Como conseqüência disso, pensavam que tudo partia de formações mais toscas e simples para as mais avançadas e complexas, e, claro, mais civilizadas.
Afrodite, Deusa Grega, exaltação
 da beleza feminina.

J.J. Banhofen (Mito, Religião e Direito Materno, 1861), aplicou tal linha progressiva na antropologia. Para ele, as sociedades humanas em seus primórdios eram seguramente sociedade matriarcais. As mulheres, assegurou, dominavam o mundo de então. E a razão disso era muito simples, devido à inerente promiscuidade sexual, que se supunha dominar o comportamento das comunidades primitivas, onde imperava um acasalamento circunstancial, imediato, sem regras ou compromissos estabelecidos, as mulheres, que tinham inúmeros parceiros, eram as únicas a poderem determinar com certeza de quem eram os filhos. Nesse sistema, os homens eram apenas machos reprodutores que não mantinham nenhum vínculo afetivo ou responsável com os recém-nascidos. Para esses só existia a mãe. Ela era o centro e a razão do seu viver.

Segundo Banhofen, que recorreu largamente à literatura clássica, isso explicava não só existência e a persistência dos ofícios, dos louvares e da exaltação às deusas-mães existentes em todas as sociedades, como também à estrutura jurídica derivar da idéia da existência de um Mutterrechts, um Direito Materno, ao redor do qual tudo o mais se estruturou. A evolução da situação, de semipromiscuidade para uma posterior família monogâmica, ocorreu devido à vitória dos deuses masculinos que, progressivamente, foram deslocando os mitos e as celebrações das deusas-mães.

O Matriarcado e o Parentesco
Lewis Morgan,
Um teórico do Matriarcado.

Seguindo na linha dos antropólogos evolucionistas, o americano Lewis Morgan ( A Sociedade Antiga, 1877), defendeu, ao estudar as tribos dos iroqueses, o ponto de vista de que as relações de parentesco eram dadas pelas mulheres, pelas mães (que até hoje encontra-se no antigo hábito ibérico de que o sobrenome da mãe é colocado no final, e não no meio do nome do filho). Conseqüentemente, confirmava-se para ele, a teoria do Direito Materno de Banhofen, como sendo o direito-matriz das sociedades. O que entretanto o suíço deduziu da leitura das tragédias gregas (especialmente de uma notável interpretação jurídica da Orestéia de Ésquilo) e das narrativas mitológicas, Morgan deduziu dos encontros e da observação direta, empírica, feita nas suas visitas às reservas dos índios norte-americanos, generalizando sua concepção da gens, para entender tanto os primórdios das organizações familiares da sociedade greco-romana clássica, como das contemporâneas, da Ásia, da África e da Austrália.

A Propriedade e o Fim do Matriarcado

Friedrich Engels, bem como Karl Marx, entusiasmou-se pelo trabalho de L. Morgan, extraindo dele conseqüências bem mais amplas do que as origens do parentesco e as alterações ocorridas na familiar. Engels (Origem da família, da propriedade privada e do estado, 1884) aceitou também existir num passado longínquo uma sociedade matriarcal, não da mítica tribo das guerreiras amazonas, que tantas lendas gerou, na qual as mulheres dispunham de uma liberdade sexual desconhecida para os modernos.
O mito das Amazonas é a prova de um passado Matriarcal.

Para o companheiro de Marx, entretanto, o surgimento do patriarcalismo e as subseqüentes modificações na estrutura familiar nada deviam à crescente proeminência dos deuses masculinos como pensara Banhofen, mas sim à introdução do princípio da propriedade privada. Com o surgimento do costume do cercamento e da delimitação das terras, adotadas pelos homens vitoriosos em combates e guerras, os machos passaram, disse Engels, a exigir fidelidade sexual das mulheres porque não aceitavam ter de legar os seus bens, obtidos com sangue e pela exploração do próximo, a um descendente que não fosse seu filho legítimo, gente do seu próprio sangue.

Foi então que o adultério feminino passou a ser considerado grave infração, senão crime capital. As exigência do patrimônio enfeixado nas mãos dos homens teriam então suprimidoas liberdades femininas, tornando as mulheres cativas, presas a um casamento monogâmico. De certa forma era inevitável que um militante socialista como Engels concluísse que a opressão feminina derivava em última instância da existência e manutenção da propriedade privada, induzindo a que se concluísse que a verdadeira emancipação feminina só poderia advir da abolição da sociedade burguesa.

Os 4 Princípios Gerais da Teoria do Matriarcado

1 - A única linha válida é a matrilinear, na qual é o sangue da mãe que determina a descendência e as posses da prole.
2 - O lar materno define o domicilio da família. O homem, a mulher e as crianças vivem no local do grupo com quem a mulher se relaciona.
3 - Na ausência de casamentos fixos ou monogâmicos, o papel do pai é assumido pelo irmão da mãe.
4 - A proeminente posição da mulher no culto e na religião. A aceitação de que o patriarcado sucedeu o matriarcado pertence cientifica e historicamente à teoria da evolução do século 19.

Considerações Sobre o Matriarcado

Pesquisas antropológicas feitas com mais rigor no século XX concluíram que jamais houve uma sociedade matriarcal. Isso não significa negar que em várias tribos ou civilizações as mulheres fossem altamente consideradas (como por exemplo na Grécia arcaica). A presença de mulheres nos tronos ou em alguns postos de mando, porém, foram quase sempre fatos isolados, eventuais e vinculados aos direitos dinásticos, pois elas na sua totalidade nunca conduziram ou dominaram inteiramente uma sociedade. Intelectuais vinculadas ao movimento feminista têm realizado inúmeros levantamentos das celebrações e cultos feitos às deusas em diversas organizações antigas, como na sociedade cretense e outras mais. Outras dedicaram-se a abrir um novo espaço de investigação, trazendo à luz o papel significativo que elas exerceram em vários momentos da história antiga ou contemporânea, o que aponta para um futuro onde a participação geral da mulher vai ser inteiramente reavaliado.

   O ensaio de Merlin Stone é um dos exemplos das concepções feministas aplicadas à história da antiga ritualística religiosa



domingo, 4 de março de 2012

Misterioso Monstro "Cão-Porco" Aterroriza a África

Misterioso Monstro "Cão-Porco" Aterroriza a África





O norte da Namíbia, na costa sudoeste da África, está aterrorizado por uma criatura híbrida de cachorro e porco. A “besta” foi relatada como sendo em grande parte branca e diferente de tudo que os moradores já viram na vida, com uma cabeça canina e um corpo quase sem pelo de um porco gigante.

O animal foi visto perseguindo e atacando cães, cabras e outros animais domésticos nesta região árida, não muito longe do deserto de Kalahari.

Como muitas vezes acontece quando boatos de monstros se espalham por áreas rurais ao redor do mundo, alguns moradores tomaram precauções de segurança adicionais, tais como viajar em grupos e se armar.
Chupa-Cabras

Já vimos isso antes: em 1995 e 1996, alguns porto-riquenhos se armaram contra a besta vampiresca “Chupacabra”, e, no ano passado, os moradores da Malásia patrulharam as ruas em busca do misterioso “orang minyak”, ou “homem oleoso”, criatura que recentemente aterrorizou o país.

Um oficial da Namíbia, o conselheiro regional Andreas Mundjindi, foi citado no jornal Informante como dizendo: “Este é um animal estranho que as pessoas nunca viram antes. Nós não temos uma floresta aqui, apenas arbustos. Então, isso deve ser magia negra em jogo”.

Algumas pessoas na área ligaram o animal a um rumor de um bruxo ou feiticeiro, sugerindo que é seu animal de estimação.

A suposição de que a besta tem origens mágicas não é surpreendente. Uma pesquisa de 2010 descobriu que a crença na magia é generalizada em toda a África subsaariana, com mais da metade dos entrevistados dizendo que acreditavam em bruxaria e feitiçaria.

Esta não é a primeira vez que animais incomuns são avistados em áreas rurais da Namíbia; vários outros monstros foram relatados ao longo dos anos, incluindo em julho de 2009, quando criaturas desconhecidas teriam sugado o sangue de gado, incluindo quase duas dúzias de cabras.

Embora ninguém tenha visto os monstros, eles disseram ter pegadas semelhantes às de um cão, mas muito maiores.

A polícia seguiu as pegadas, que misteriosamente paravam em um campo aberto, como se a criatura tivesse lançado voo de repente ou desaparecido. Naquela época, os moradores também foram convencidos de que a estranha criatura era o produto de magia negra – indo tão longe quanto acusar um homem velho e sua irmã de conjurar a criatura.

Não está claro se os habitantes locais acreditam que o atual cão-porco é a mesma criatura que aterrorizou a região há três anos.
Seja uma fera real ou não, uma grande preocupação é que a crença nessas criaturas seja usada como uma desculpa para ataques da máfia sobre homens e mulheres idosos suspeitos de bruxaria.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Primeira Primavera

A Primeira Primavera


No princípio,
O caos
Era um mar de tufo.
Sem forma, era o nada.
Eis que nas águas de tudo nasceu
A primeira divindade,
Ser vivo primordial,
Senhor Kunitokotachi,
Eterno regente das terras, das águas
E dos ares e de mais o que havia.
Simples junco solitário, que, com o tempo, gerou
Os Espíritos dos Céus, que passaram a ordenar
As mil tramóias do Caos.

Ordenaram o que seria a Terra e o firmamento,
Distribuindo as águas e distribuindo os ares.
Criaram novos seis pares de Espíritos Celestiais,
Com a missão  de governar o destino de tudo.
 
Eis que, então, se percebeu que a Terra não passava
De um mar de óleo à deriva flutuando pelo ar.
Era preciso seguir com a obra da criação.

Muitos desses Espíritos mantêm suas moradias
Nas Planícies do Céu.
Outros se foram de lá, ninguém sabe para onde.
Antes, todos ordenaram
Ao mais jovem desses pares de espíritos governantes,
Izanagi e Izanami,
Que consolidasse a Terra
(que se encontrava a deriva feito óleo flutuante)
Dando à luz todas as ilhas do Japão.

Izanagi e Izanami,
No centro de uma ponte suspensa no ar do Céu
Com uma sagrada lança,
Tanto agitaram as águas do oceano salgado,
Que estas se adensaram.

Suspensa a lança no ar, eis que dela cai a gota,
Que gera a primeira ilha, de nome
Ono-Goro-Jima.
Onde começa a história.

Izanagi e Izanami
Construíram, nesta ilha,
Uma vasta habitação e,
No centro desse lar,
No rumo do vasto Céu,
Um grande pilar de pedra,
Que é o eixo do mundo.

No mesmo instante, uma ave, pássaro abençoado,
Senhor dos prazeres do amor,
Sobrevoou o casal.

Izanagi e Izanami,
Plenamente apaixonados,
Perceberam, em seus corpos, suas doces diferenças.
Concluíram que teriam de juntá-los com fervor,
Tornando-se um corpo só,
Para prosseguir com a obra da sagrada criação.

Movidos por grande amor,
Os dois giraram em torno do vasto eixo do mundo,
Da esquerda para a direita
Foi o rum de Izanagi.
Da direita para a esquerda,
O rumo de Izanami.
Assim, caso se encontrassem,
Juntariam os seus corpos no prazer de ser um corpo.

Quando os dois se encontraram
Izanami exclamou:
— Oh que belo e encantador é o jovem que vem a mim!

Surpreendido, Izanagi respondeu a Izanami:
—Ah! Que bela e encantadora é a donzela que vejo e vou ao encontro dela!

Intrigado, Izanagi percebeu algo errado:
—Não é justo que a mulher fale primeiro que o homem!

Contudo, não se importaram e entraram em comunhão.
Trouxeram a luz o primeiro de seus filhos,
Conhecido por Hiruko,
Repelente sanguessuga.

Entristecido, o casal abandonou esse filho
Em um barco, no alto-mar,
Noutra era, com certeza,
É que, já purificado,
Hiruko tornou-se Ebisu, o Senhor dos Pescadores.

Izanagi e Izanami
Tiveram mais outros filhos,
Todos também perdidos.

Bastante desconsolado,
O casal foi se entender
Com os Senhores do Céu.

—Isso só acontece, quando, em vez do homem, a mulher fala primeiro! – foi o que ouviram.

E de novo os dois giraram junto do eixo do mundo.

Desta vez, Izanagi quem falou primeiro.
Depois, ouviu Izanami.
E seus corpos se juntariam.
Izanami deu à luz as Ilhas do Japão.

Também geraram espíritos.

Esta postagem é uma contribuição de Pallas.

Osíris o Ser Bom

Osíris, o Ser Bom




No céu, Rá andava de um lado para outro, espumando de raiva.
— Nut, minha querida filha, como pôde se unir a seu irmão Geb sem pedir meu consentimento? Sem me dizer uma palavra? Como foi capaz de fazer uma coisa dessa? Pois bem! Já que é assim, você nunca terá um filho! Nunca, está ouvindo? Não poderá dar à luz nem no decorrer do mês nem no decorrer do ano.
Rá voltou a subir no seu barco e desapareceu no ocidente, para fazer sua viagem noturna de doze horas. Nut foi tomada por uma tristeza profunda e começou a chorar. Então o deus Tot, calculador do tempo e senhor do calendário, veio encostar sua cabeça de íbis no ombro de Nut.
—Ouvi tudo – ele murmurou com ternura. – Não se preocupe, vou tentar dar um jeito.
Levando o bico fino, curvo e comprido, Tot dirigiu-se à Lua, que era o olho direito de Hórus o falcão divino.
— Você parece meio aborrecida. Quer jogar dados comigo? Tive uma idéia: para o jogo ficar mais interessante, vamos fazer uma aposta. Cada vez que eu ganhar uma partida, você me dará um setenta e dois avos do seu brilho. Se eu perder...
A Lua sorriu. Até então, nunca ninguém tinha conseguido ganhar dela. Pobre Tot, Ela ia depená-lo. Então, como era uma boa princesa, aceitou, para agradar a Tot.
— Tudo bem, aceito o desafio. Vamos jogar. Como sou invencível, não exigirei nada pelas partidas que eu vencer, senão você acabaria perdendo tudo o que tem. Não tenho medo de ninguém.
Os dados rolaram muitas vezes sobre o tapete preto. Tot ganhou a partida e a Lua franziu a testa. Tot ganhou a segunda e a Lua ficou nervosa. Eles jogaram, jogaram, até que o olho esquerdo de Hórus escureceu.
- Vou parar – disse a Lua – Você ganhou de mim cinco vezes seguidas. Chega. Leve os cinco setenta e dois avos do meu brilho a que tem direito.
—Obrigado – disse Tot.
Com o brilho que ganhou, o deus do calendário fez cinco novos dias. Ele os colocou à parte, no final dos doze meses e trinta que formava seu ano egípcio naquela época. Além de aperfeiçoar o tempo, Tot permitiu que Nut escapasse da maldição de Rá. Nut deu a luz sete vezes seguidas.
Osíris veio ao mundo na primeira manhã dos cinco novos dias adicionais. Enquanto ele nacia, ouviu-se uma voz estranha:
— Quem está ao mundo é o senhor das coisas.
No mesmo instante, em Tebas, a cidade de cem portas, um certo Pamiles, que eu tinha ido buscar água no tempo de Amon, parou estarrecido. Embora estivesse sozinho, ouviu uma voz murmurando em seu ouvido. A voz, sem boca nem corpo, ordenou que ele bradasse:
—Acaba de nascer o grande rei, o benfeitor Osíris.
O homem obedeceu, anunciando o feliz acontecimento e voz alto. Então Geb, deus da terra, lhe confiou seu filho. Pamiles encarregou-se de educar Osíris e criou uma festa em sua honra. Nessa festa, cada um engoliria um porco diante de sua porta, e depois as mulheres sairiam em procissão pelas aldeias, tendo à frente um tocador de flauta.
No segundo dia nasceu Haroéris, criança divina com cabeça de falcão.
No terceiro dia, Nut deu um grito de dor. Era Set que estava nascendo. Em vez de nascer pelo caminho natural, ele rasgou violentamente o flanco da mãe para sair por ele.
Nut foi se refugiar num pântano e ficou esperando o dia seguinte com muito medo. Mas Ísis veio ao mundo tranquilamente, do modo mais natural possível. Finalmente, ao amanhecer do último dia adicional, Néftis veio se juntar aos três irmãos e à irmã.
Assim nasceram os cinco filhos da união de Nut e Geb. Rá se enterneceu ao ver seus descendentes e sua cólera se aplacou. Emocionado, ele até verteu algumas lágrimas. Ao caírem no chão, as lágrimas do pássaro-sol se transformaram em abelhas, insetos que produzem a cera e o mel, tão úteis aos homens.
O tempo foi passando. As crianças cresceram. Haroéris, solitário, exilou-se na cidade de Nubit. Set casou-se co Néftis. Osíris e Ísis casaram-se apenas formalmente. Fazia muito tempo que eram apaixonados um pelo outro e na verdade já tinham se unido no ventre de sua mãe.
Rosto fino, pele morena, alto e majestoso, Osíris subiu ao trono. Então tudo mudou na terra do Egito. O rei deu aos egípcios leis sensatas e ensinou-os a venerar os deuses. Ele era inteligente, bondoso e contava sempre com a ajuda da generosa Ísis.
Antigamente os seres humanos viviam como animais selvagens, ou ainda pior, pois devoravam uns aos outros. Com tranqüilidade e firmeza, Osíris fez com que abandonassem esse costume. Ísis descobriu o uso dos cereais, como o trigo e a cevada. Até então, os homens não distinguiam essas plantas das outras e não pensavam em cultiva-as. Osíris incentivou-os a lavrarem a terra para que o trigo crescesse em abundância. Ensinou-os a usas a cevada para alimentar os porcos e as aves e também para fazer cerveja, bebida apreciada por seu sabor e aroma.
Mas não foi só. O rei descobriu a vinha no território de Nisa. Esmagando a uva, saboreou a delícia do vinho e deu a receita aos homens. Revelou aos egípcios que em seu solo havia ouro e outros metais. Mostrou-lhes onde estavam os filões e ensinou-lhes a maneira de trabalhar o bronze, de fazer armas para se defender conta os animais ferozes, de fabricar ferramentas e instrumentos agrícolas, de moldar e fundir estátuas dos deuses.
A rainha Ísis, por sua vez, era estimada por seu senso de justiça. Com seu poder de magia, afastava os demônios e se enfurecia contra quem maltratava as crianças. Era terna e carinhosa. Conseguia estar pr3sente em todos os lugares ao mesmo tempo, cuidando de tudo e de todos. Ensinava as mulheres a moer o trigo, a fazer o pão, a tecer o pano e alvejá-lo.
Tot, o deus com cabeça de íbis, estava sempre ao lado de Osíris e Ísis, ajudando-os a governar. Calcular as horas e os dias era apenas uma de suas habilidades. Foi ele que inventou a escrita e a leitura, ao transformar em sinais as palavras que eram pronunciadas. Registrava nos rolos de papiro os pensamentos que lhe eram confiados, as histórias que ouvia e via, passando todos esses conhecimentos às gerações futuras. Às vezes, ele se despojava de sua plumagem de íbis e assumia a forma de babuíno. Por sua inteligência e seu conhecimento, Tot era venerado pelos sacerdotes e letrados. Era considerado deus da sabedoria e patrono dos escribas.
Certo dia, com um imenso exército, Osíris saiu percorrendo várias regiões da terra, ensinado a seus povos as técnicas da agricultura e revelando as alegrias proporcionadas pelo consumo moderado de vinho. Era uma expedição de paz. Dançarinos e músicos acompanhavam o deus, e por toda parte ele era recebido como benfeitor. Em seu séquito, o rei contava com gente prudente. Tinha como aliados o cão selvagem Anúbis, de cabeça preta e orelhas pontudas, e o lobo Upuaut.
Durante sua ausência, Ísis reinou com muita justiça, vigilante e firme, mantendo as coisas em ordem e harmonia, como Osíris as deixara.
Tudo era felicidade, até que chegou o décimo terceiro dia de um mês de Pert ao longo do qual o olho de Sekhmet podia se enfurecer e lançar terríveis epidemias. O Sol caminhava no céu azul e límpido, mas de repente o vento vermelho do deserto começou a soprar, arrancando as folhas das árvores. Antes tudo era sorrisos e perfeição.  Mas então o Nilo desapareceu e deixou a Terra seca. As noites se alongaram, a luz se enfraqueceu, quase se apagou.
Nascido na terceira manhã dos dias adicionais, Set, de pele branca e cabelos ruivos, permanecera sempre à sombra de Osíris. Ele tinha ciúmes da estima do povo pelo rei, invejava as qualidades do irmão e tinha raiva de não ser o Senhor do Egito. Aliás, o mal se manifestar nele desde seu nascimento, quando havia dilacerado cruelmente o flanco de sua mãe. Finalmente, Set se enfureceu definitivamente quando o povo do Egito passou a chamar Osíris de Unnefer, “o ser bom”, em reconhecimento ao seu empenho na salvação de todos os homens.
Então Osíris voltou, à frente de seu imenso exército, glorificado pelas vitórias pacíficas obtidas em solo estrangeiro. Set o recebeu de braços abertos.
— Estou feliz com sua volta, meu irmão. Para comemorar esse acontecimento, organizei um banquete conforme você merece. Espero-o esta noite em meu palácio.
Set deu um abraço apertado em Osíris, para avaliar disfarçadamente o tamanho do irmão. Ao longo do dia, mandou fazer sob medida uma arca de madeira preciosa, ricamente entalhada.
Osíris foi cumprimentar Ísis, feliz por reencontrá-la. Contou-lhe rapidamente a história sobre os acontecimentos de suas conquistas e perguntou-lhe sobre os acontecimentos sobre nas terras do Egito. Depois dirigiu-se ao palácio de Set. Encontrou no salão de recepção e parou, surpreso. Acompanhando o irmão setenta e dois homens e uma mulher. Com seus olhos de gavião, contou-os num instante.
—Apresento-lhe meus fiéis servidores – disse Set – E esta é Aso, rainha da Etiópia.
Sentaram-se todos em torno da mesa imensa para se banquetear. No meio da refeição, subitamente Set bateu palmas. Na mesma hora alguns criados trouxeram a preciosa arca de madeira. Todos elogiaram o móvel e louvaram a beleza de sua decoração.
Sorrindo, Set prometeu dar a arca a quem, deitando-se dentro dela, ocupasse exatamente todo o seu espaço. Um por um, todos os convivas experimentaram, mas nenhum deles era exatamente do tamanho exato da arca. Finalmente chegou a vez de Osíris. Mas, assim que ele se deitou dentro da arca, os setenta e dois convivas se precipitaram, fecharam e pregaram sua tampa a martelaram e a lacraram com chumbo derretido. Depois a levaram até o Nilo e a jogaram dentro do rio.
Isso aconteceu no dia dezessete do mês Atir, quando o Sol passa sob o signo de escorpião. Osíris reinava vinte e oito anos, e Hapi, o espírito do rio, nem suspeitou que estava levando o corpo do rei para o mar, O Grande Verde.
A notícia do desaparecimento do “ser bom” se espalhou muito depressa por todo o Egito. O terror tomou conta dos homens. Os deuses amigos de Osíris, temendo padecer uma triste sorte, imediatamente se dissimularam sob a forma de animais.
Ísis rasgou suas roupas. Chorou de dor, invocando o testemunho dos céus e cobrindo o rosto de lama. Depois, calou-se, vestiu roupas de luto e cortou uma madeixa de seus cabelos. Seus olhos fitavam o nada. Algumas horas antes seu amado ainda estava a seu lado, de volta de uma longa ausência, glorioso e sorridente. Agora, coma angústia lhe retorcendo o ventre, o coração apertado, Ísis sentia-se enlouquecer, tomada pelo amargura.
Então a rainha saiu à procura de pistas do marido, interrogando viajantes e habitantes das aldeias. As crianças apostavam corrida caminhando de joelhos, com as pernas cruzadas, segurando os pés com as mãos. Ela não teve dificuldade em alcançá-las. Então perguntou:
— Por acaso vocês viram uns homens carregando uma arca?
Uma criança, se levantou e disse:
—  Outra noite, vi uns homens com uma arca imensa. Era muito pesada, eles faziam muita força para carregá-la.
— Como conseguiu enxergá-los no escuro?
— Era noite de lua cheia. A arca era toda decorada. Eles a jogaram lá embaixo, no braço do rio que vai para o Grande Verde, por Tânis. Eu estava brincando aqui fora e vi tudo.
Ísis acariciou o cabelo moreno e cacheado do menino.
— Obrigada. Ah, maldito seja esse braço do Nilo! E benditas sejam as vozes das crianças! O touro Ápis é um excelente adivinho, no entanto quem vem fazer suas preces aos deus e interrogá-lo sobre o futuro recebe a resposta da boca das crianças que brincam e dançam ao  som da flauta.
Ísis deixou as crianças entregues à brincadeira e continuou caminhada, mas agora já não andava ao acaso. Depois que ouvira o menino de cachos morenos, ela via melilotos, a planta de flores amarelas favorita de Osíris, e seu perfume guiava seus passos. Ísis andou por muito tempo. Seu caminho acompanhava o mar e montanhas se erguiam a direita.
Certo dia, um vento divino sussurrou ao seu ouvido. Se, corpo nem lábios, a voz falou:
— Você está no caminho certo. Continue até Biblos, sem perda de tempo. Lá encontrará o que está procurando. As ondas do mar carregaram a arca e a depositaram ao pé de uma Tamargueira. A partir de então, o arbusto de flores cor-de-rosa se desenvolveu com rapidez admirável, envolvendo a arca e dissimulado-a no interior de sua madeira. Maravilhado, Malcandro, rei daquelas terras, ordenou que cortassem o tronco da tamargueira para transformá-lo numa coluna ornamental em seu palácio. Portanto trate de se apressar!
Ísis chegou exausta a Biblos. Chorando, sentou-se perto de uma fonte. Como poderia aproximar-se do rei para falar com ele? Enquanto refletia, passaram as criadas da rainha. Ísis se levantou, aproximou-se delas, cumprimentou-as e ofereceu-se para ajeitar e trançar seus cabelos. Depois de penteá-las, Ísis impregnou o corpo das mulheres com o aroma que se desprendia de seu corpo. Era um perfume divino, composto por dezesseis substâncias, entre as quais mel e vinho, menta e canela, hena e mimosa.
Ao ver suas criadas voltarem com lindos penteados e inebriada pelo perfume que exalavam, a rainha as interrogou. Elas falaram tanto da estrangeira, que a rainha mandou buscar Ísis. Encantada, fez dela sua amiga de verdade e encarregou-a da criação de seu filho caçula.
Ísis cuidou carinhosamente do menino. Amamentava-o pondo-lhe o dedo na boca. À noite, queimava o que havia de mortal em seu corpo. Quando o principezinho adormecia profundamente, Ísis tomava a forma de uma andorinha, ia até o palácio real e, gemendo, voava em torno da coluna ornamental na qual estava Osíris.
Certa noite, tomada pela insônia, a rainha foi até o quarto da criança. Horrorizada, viu saírem chamas do  corpo de seu filho, enquanto Ísis soprava para atiçar o fogo. A mãe, ao invés de se calar, soltou um grito, interrompendo assim a ação benéfica de Ísis.
— O que você está fazendo, desgraçada? E eu que confiava tanto em você...
— Estava fazendo um bem, queimando o que havia de mortal nessa criança. Mas você duvidou de mim, e seu filho não será eterno. Agora veja quem sou.
Ísis assumiu sua aparência de deusa, e a rainha se prosternou:
— O que posso fazer por você? Farei tudo o que ordenar.
— só quero o que está dentro da coluna ornamental do palácio real – foi à resposta.
Honrado coma presença divina, o rei apressou-se em atender ao desejo de Ísis. Então, ela própria rachou o tronco de tamargueira para tirar a arca de dentro dele. Depois, envolveu-o num pano fino, perfumou-o e devolveu ao casal real para que o povo de Biblos venerasse aquele pedaço de madeira sagrada. Finalmente, olhando para a arca com profunda ternura, ela se jogou sobre aquilo que, na verdade, era um caixão fúnebre. Seus gemidos foram tão agudos que uma criança morreu.
Malcandro mandou equipar um navio ancorado no rio Fedros e ordenou que seu filho mais velho servisse à deusa. No momento em que a arca foi içada até a ponte do navio, um vento violento começou a soprar. Irritada, quando o navio chegou a largo, a deusa secou o leito do rio que engrossava suas águas.
No mar, as correntes lhes foram favoráveis, e logo eles alcançaram a costa do Egito. Seguida pelo príncipe, Ísis empreendeu uma caminhada longa e penosa, até depositar a arca num lugar deserto. A deusa despregou a tampa e a levantou. Rosto fino e pele morena, Osíris jazia dentro da arca, de olhos fechados, sem respirar. Então, debruçando-se sobre o “ser bom”, Ísis pousou seus lábios nos lábios do deus morto, unindo-se mais uma vez a ele com esse beijo. Ficou ali durante muito tempo, contemplando o rosto amado.
Ao se levantar, viu o filho do rei Malcandro ali perto. Ele ousara olhar! Cheia de cólera, tornando-se feroz e impiedosa, Ísis lançou-lhe um olhar tão duro que o príncipe, aterrorizado, caiu morto. Então, entregue a seu próprio sofrimento, indiferente à sorte do príncipe de Biblos, Ísis prosseguiu seu caminho, carregando o caixão de madeira preciosa dentro do qual repousava o “ser bom”. A deusa andou, andou, até depositá-lo num lugar retirado.
Então, lançando um último olhar para a arca toda decorada, como dissera o menino de cabelos cacheados, Ísis saiu caminhando na direção de Buto, sem olhar para trás.


Esta postagem é uma contribuição de Pallas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Netuno e os Lenhadores

Netuno e os Lenhadores





Dizem que, há muitos anos, um lenhador rachava lenha na beira de um rio. De repente, o machado com que trabalhava escapuliu de suas mãos e caiu na água. Ele procurou, mas não conseguiu achar. Muito infeliz, sentou-se numa pedra e começou a chorar:




—Ai, o que vai ser de mim agora? Sem a minha ferramenta de trabalho, como posso trabalhar e sustentar minha família?

Então, nas águas forma-se um rebuliço, e delas surgem o Senhor dos oceanos em pessoa, ele havia ouvido seus lamentos e viera ajudá-lo.

—Não chore – dissen Netuno. – Eu acabo de encontrar o seu machado. Não é este aqui?

Dizendo isso, o deus botou a mão dentro d’água e retirou lá de dentro um magnífico machado de ouro.

—Não, senhor... – respondeu o lenhador. – Meu machado é muito mais simples.

Netuno depositou com cuidado a ferramenta na margem do rio. Em seguida, mergulhou e voltou trazendo outro machado. Desta vez, todo de prata. Sorrindo, falou:

—Claro, como é que eu pude me confundir assim? O machado que você perdeu é esse aqui, evidentemente.



O lenhador ficou até sem jeito de contradizer um senhor tão distinto, de aparência tão majestosa. Nem desconfiava que era o próprio deus Júpiter. Mas criou coragem e afirmou:

Desculpe, mas também não é este. O meu machado é velho, de cabo de madeira, e está um pouquinho enferrujado. Só serve para fazer lenha.

Então o deus guardou o machado de prata junto ao de ouro, na margem do rio, e mergulhou outra vez. Quando voltou, mostrou ao homem a sua ferramenta velha. Ele agradeceu, todo feliz:

Isso mesmo! Que bom que o senhor encontrou! É esse aí... muito obrigado...

Satisfeito com a honestidade do lenhador, Netuno lhe disse:

—Pois então pode ficar também com os outros dois machados. Faça com eles o que quiser. São seus, eu lhe dou de presente.

E desapareceu, tão misteriosamente como tinha surgido.

O homem saiu dali saltitante, de tão contente. Só não pulava mais porque estava carregando o peso daquele tesouro.

Logo adiante encontrou um grupo de colegas, que ficaram espantadíssimos por vê-lo com todo aquele ouro e aquela prata nas mãos. O lenhador contou o que tinha acontecido.

Um deles, metido a esperto, deixou os amigos ouvindo a conversa e foi saindo de mansinho em direção ao rio.

Quando chegou ao local onde o amigo dissera que tinha perdido o machado, fingiu que sua ferramenta também tinha escorregado de sua mão e a deixou cair na água. Na mesma hora, sentou-se na pedra ao lado e começou a chorar, aos berros, fazendo o maior escândalo:

—Ai de mim! Sou um desgraçado! Perdi meu machado e agora não posso mais trabalhar!

Como ele esperava, logo surgiu Netuno e lhe estendeu um machado de ouro.

—Que bom que o senhor achou! É esse mesmo! – disse ele parando de chorar e estendendo a mão para pegar o cabo da ferramenta.

Mas Netuno ficou tão zangado com a ganância e a falta de honestidade dele, que jogou o machado de ouro no fundo do rio e ainda fez a correnteza ficar tão forte que carregou para sempre o verdadeiro machado do lenhador.



Essa postagem é uma contribuição de Pallas.

Deixe um comentário!