domingo, 26 de fevereiro de 2012

Apolo e Dafne

Apolo e Dafne



Apolo e Dafne

 Dafne foi o primeiro amor de Apolo.
 Não surgiu por acaso, mas pela malícia de Cupido.Apolo viu o menino brincando com seu arco e suas setas e, estando ele próprio muito envaidecido com sua recente vitória sobre Píton, disse-lhe:
— Que tens a fazer com armas mortíferas, menino insolente? Deixe-as para as mãos de quem delas sejam dignos. Vê a vitória que com elas alcancei, contra a vasta serpente que estendia o corpo venenoso por grande extensão da planície! Contenta-te com tua tocha, criança, e atiça tua chama, como costumas dizer, mas não te atrevas a intrometer-te com minhas armas.

O filho de Afrodite ouviu essas palavras e retrucou:
— Tuas setas podem ferir todas as outras coisas, Apolo, mas as minhas podem ferir-te.
Assim dizendo, pôs-se de pé numa rocha do Parnaso e tirou da aljava duas setas diferentes, uma feita para atrair o amor; outra, para afastá-lo. A primeira era de ouro e tinha a ponta aguçada, a segunda, de ponta rombuda, era de chumbo. Com a seta de ponta de chumbo, feriu a ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu, e com a de ouro feriu Apolo no coração. Sem demora, o deus foi tomado de amor pela donzela e esta sentiu horror à idéia de amar. Seu prazer consistia nas caminhadas pelos bosques e na caça. Muitos amantes a buscavam, mas ela recusava a todos, passeando pelos bosques, sem pensar em Cupido nem em Himeneu.
Cupido
  Seu pai muitas vezes lhe dizia: "Filha, deves dar-me um genro, dar-me netos." Temendo o casamento como a um crime, com as belas faces coradas, ela se abraçou ao pai, implorando: "Concede esta graça, pai querido! Faze com que eu não me case jamais!"
  A contragosto, ele consentiu, observando, ao mesmo tempo, porém: — O teu próprio rosto é contrário a este voto.
Apolo amou-a e lutou para obtê-la; ele, que era o oráculo de todo o mundo, não foi bastante sábio para prever o seu próprio destino. Vendo os cabelos caírem desordenados pelos ombros da ninfa, imaginou: "Se são tão belos em desordem, como deverão ser quando arranjados?" Viu seus olhos brilharem como estrelas; viu seus lábios, e não se deu por satisfeito só em vê-los. Admirou suas mãos e os braços, nus até os ombros, e tudo que estava escondido da vista imaginou mais belo ainda. Seguiu-a; ela fugiu, mais rápida que o vento, e não se retardou um momento ante suas súplicas. — Pára, filha de Peneu! — ele exclamou. Não sou um inimigo. Não fujas de mim, como a ovelha foge do lobo, ou a pomba do milhafre. É por amor que te persigo. Sofro de medo que, por minha culpa, caias e te machuques nestas pedras. Não corras tão depressa, peço-te, e correrei também mais devagar. Não sou um homem rude, um campônio boçal. Júpiter é meu pai, sou senhor de Delfos e Tenedos e conheço todas as coisas, presentes e futuras. Sou o deus do canto e da lira. Minhas setas voam certeiras para o alvo. Mas, ah!, uma seta mais fatal que as minhas atravessou-me o coração! Sou o deus da medicina e conheço a virtude de todas as plantas medicinais.
Apolo e Dafne
Ah! Sofro de uma enfermidade que bálsamo algum pode curar! A ninfa continuou sua fuga, nem ouvindo de todo a súplica do deus. E, mesmo ao fugir, ela o encantava. O vento agitava-lhe as vestes e os cabelos desatados lhe caíam pelas costas. O deus sentiu-se impaciente ao ver desprezados os seus rogos e, excitado por Cupido, diminuiu a distância que o separava da jovem. Era como um cão perseguindo uma lebre, com a boca aberta, pronto para apanhá-la, enquanto o débil animal avança, escapando no último momento. Assim voavam o deus e a virgem: ela com as asas do medo; ele com as do amor. O perseguidor é mais rápido, porém, e adianta-se na carreira: sua respiração ofegante, já atinge os cabelos da ninfa. As forças de Dafne começam a fraquejar e, prestes a cair, ela invoca seu pai, o rio-deus: — Ajuda-me, Peneu! Abre a terra para envolver-me, ou muda minhas formas, que me têm sido tão fatais!
    Mal pronunciara estas palavras, um torpor lhe ganha todos os membros; seu peito começou a revestir-se de uma leve casca; seus cabelos transformaram-se em folhas; seus braços mudam-se em galhos; os pés cravam-se no chão, como raízes; seu rosto tornou-se o cimo do arbusto, nada conservando do que fora, a não ser a beleza.
  Apolo abraçou-se aos ramos da árvore e beijou ardentemente a madeira. Os ramos afastaram-se de seus lábios.
— Já que não podes ser minha esposa — exclamou o deus — serás a minha planta preferida. Usarei tuas folhas como coroa; com elas enfeitarei minha lira e minha aljava; e quando os grandes conquistadores caminharem para o descanso de glória, à frente dos cortejos triunfais, serás usada como coroas para suas frontes. E, tão eternamente jovem quanto eu próprio, também hás de ser sempre verde e tuas folhas não envelhecerão.
Apolo e Dafne, Lady Gaga, Crepúsculo, Harry Potter, Mitologia, Justin Bieber

A Origem dos Homens

A Origem dos Homens


Prometeu sempre teve um pendor para as artes plásticas. Seu pai era o velho Japeto, um dos titãs, cuja origem se perde na noite dos tempos. Era tão velho que emparelhava em idade com Cronos, o pai de Zeus, e ninguém sabia precisar direito como e de onde surgira. O fato é que o velho sempre nutrira uma admiração secreta por seu habilidoso filho.
Este Prometeu promete! – dizia, repetindo pela milésima vez esse cansativo trocadilho.
Ásia, esposa de Japeto, escutava pacientemente os prognósticos do marido, mas não podia deixar de concordar com o seu otimismo. Não raras vezes flagraram o menino metido no barro, modelando com habilidade seres das mais diversas formas.
Com o tempo, Prometeu cresceu, até atingir a fase adulta. Agora, já com seu atelier montado, era respeitado em toda a corte celestial, como notável artífice.
Um dia chegou um mensageiro todo-poderoso à sua porta dizendo:
Prometeu, Zeus decidiu criar um novo ser, sobre a Terra, de tal modo importante, que há se assemelhar em tudo aos próprios deuses.
Um deus de segunda categoria? Para quê?, perguntou o artista a sim mesmo,
Prometeu, entretanto, não opinava sobre as tarefas que recebia, mas procurava tão somente cumpri-las da melhor maneira possível.
Assim sendo, aceitou imediatamente a incumbência. No mesmo dia encerrou-se em sua oficina, depois de colocar um aviso bem grande na porta destinado a afastar os importunos. Esta criação, bem o sabia, estava destinada a ser a sua obra-prima, e por esta razão decidiu caprichar ao máximo na sua elaboração.
Prometeu cria o homem
Prometeu cria o homem
Depois de trabalhar por vários dias, deu enfim por concluída a tarefa. Embrulhou a imagem do novo ser, que batizou de Homem, e já ia levando para que Atena, a sabedoria divina, lhe insuflasse a alma, quando esbarrou acidentalmente na porta, deixando cair a peça ao chão.
Abalado com o desastre, Prometeu retirou o lençol que envolvia o trabalho e viu que sua criatura perdera uma de suas três maravilhosas pernas.
Que desastre lamentável!, exclamou, desconsolado.
Mas como estivesse muito apressado, pois a data de entrega da obra havia expirado há vários dias, resolveu levá-la assim mesmo, com duas pernas apenas. A perna do meio, contudo perdera-se para sempre.
Mesmo assim, lá foi ele, orgulhoso, com sua obra-prima. Todos os deuses foram unânimes em aplaudir a sua criação. Os elogios eram como uma chuva benfazeja, de tal modo que Prometeu tomou-se mais ainda de amores pela obra.
Decidido, porém, a fazer daquela criatura um ser privilegiado, Prometeu decidiu subir até os céus e roubar ao carro do sol uma pequena chama.
- Veja!, disse ele a Atena.
- Com o domínio deste fogo, o homem será superior a todas as demais criaturas!
Os descendentes deste primeiro homem, no entanto, logo entraram em desavença com o pai supremo, Zeus.
Zeus, encolerizado, decidiu puni-los retirando dos homens o fogo, que lhes dava o calor necessário aos seus corpos desprovidos de penas ou de pêlo espesso. Deste modo o homem também ficava privado do elemento fundamental para que pudesse continuar a fabricar suas armas e ferramentas.
As forjas silenciaram em todo o mundo, e durante algum tempo as bigornas e os martelos estiveram momentaneamente pacificados.
Quando a noite descia sobre a Terra, as pessoas corriam a se envolver em suas peles, buscando o abrigo das suas cavernas geladas e escuras. Sem o fogo para cozinhar os alimentos, tiveram também os homens de retroceder ao hábito de comer alimentos crus.
Prometeu, vendo que o ser que saíra de suas mãos padecia de incríveis sofrimentos sem indagar da causa que o levara a este lamentável estado, decidiu roubar outra vez aos céus uma fagulha do divino elemento.
Cuidado, pense duas vezes antes de afrontar novamente a ira divina!, disse-lhe Atena, em tom de advertência.
Prometeu, no entanto, surdo aos avisos da deusa, preferiu correr o risco.
Aproveitando o escuro da noite, enrolou-se num manto e subiu aos céus, até onde o sol repousava de sua longa viagem. Aproximando-se pé ante pé, puxou das vestes um tição apagado e o acendeu nas costas do astro, que dormia a sono solto.
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Tapando com a mão a minúscula chama, veio de volta à Terra. Antes que o dia amanhecesse outra vez, uma imensa fogueira ardia bem no centro da Terra, onde os homens felizes, foram recolher o fogo bendito para esquentar seus corpos e fabricar outra vez suas armas e utensílios.
Mas Zeus, ao saber do fato, irou-se de vez.
Aquele maldito intrometido saiu outra vez em defesa de seus protegidos!, disse o deus, puxando os cabelos.
- Mas, desta vez, seu ultraje não ficará sem resposta!
No mesmo dia ordenou que aprisionassem Prometeu a um rochedo no Cáucaso.
Quero que ele esteja para sempre preso àquela pedra!, exclamou Zeus, furioso.
Ordenou, ainda, que soltassem sobre a região, um terrível abutre, cuja degradante função seria a de devorar, incansavelmente, o fígado de Prometeu. Assim se fez.
Em menos de um dia, Prometeu viu-se acorrentado ao imenso rochedo, enquanto um abutre de hora em hora descia para lhe comer o fígado.
Nem bem a ave nojenta terminava sua tarefa, o fígado de Prometeu reconstituía-se, milagrosamente, fazendo com que a ave insaciável retomasse a sua função, tornando, deste modo, infinito, o suplício do pobre amigo dos homens.
Durante muitos anos Prometeu esteve submetido a essa horrenda tortura, quando um dia uma voz cavernosa ecoou sobre sua cabeça:
- Aprendeu agora a lição, Prometeu?
O filho de Japeto, no entanto, virou o rosto, em sinal de desprezo.
Zeus tentou ainda comprar-lhe o silêncio, prometendo que o libertaria de seu suplício caso ele se comprometesse a esconder dos homens o segredo da obtenção do fogo.
Prometeu, mais uma vez, recusou-se a responder, pois ele não cedia nem a ameaças nem a ofertas.
Mas seu castigo, afinal teve um fim um dia.
Prometeu acorrentado - Rubens
Prometeu acorrentado - Rubens
Hércules, filho de Zeus, numa de suas inúmeras aventuras acabou matando o abutre que torturava de modo tão cruel o pobre Prometeu.
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Depois, já ia o herói arrancando-o de suas correntes quando a voz de Zeus soou:
- Isto é impossível que se faça!, disse Zeus, embora já se mostrasse disposto a perdoar o infeliz Prometeu.
- Uma vez que eu afirmei que ele jamais se separaria deste rochedo, assim terá de ser até o final dos tempos.
Hércules, sem poder ir contra a vontade do próprio pai, já se dispunha a abandonar Prometeu no rochedo, quando este, sentindo voltar toda a sua anterior esperteza disse assim ao seu algoz:
Tenho uma solução que talvez resolverá meu problema, disse ele a seu libertador, sem voltar os olhos para Zeus, mantendo com relação a ele o seu silêncio digno e ofendido.  Afinal, depois de ter o fígado roído por milhares de anos por uma ave pestilenta, não é da noite para o dia que se pode simplesmente fazer as pazes com o mandante de uma tal atrocidade.
- Rompa os elos de minhas correntes e faça com um pequeno pedaço dele um anel, disse Prometeu a Heracles.
Hércules assim o fez. Em instantes fabricou um pequeno e elegante anel.
- Ótimo!, disse Prometeu.
Depois, arrancando do grande rochedo uma minúscula pedra, soldou-a ao anel.
Pronto!, disse Prometeu.
- Agora permanecerei de qualquer modo sempre preso a este maldito rochedo.
Zeus, admirando secretamente a inteligência da vítima, preferiu silenciar e encerrar de uma vez a longa disputa.


Esta postagem é uma contribuição de Pallas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Lughnasadh - Lammas

Lughanasadh - Lammas



Lughnasadh é também conhecido como Lammas (Lê-se "lamas") ou Festival da Primeira Colheita. Dia sagrado no paganismo, tendo origem principalmente Celta. Celebrado no dia 2 de Fevereiro no hemisfério Sul e no dia 1º de Agosto no hemisfério Norte.

Lughnasad= pronuncia-se Lunasá.
Lammas= pronuncia-se Lamas.

É importante lembrar que os Sabás não são originários da Wicca. São comemorações muitos mais antigas do que essa religião que apareceu por meados da década de 50, que agregou essas, e outras características a sua doutrina.

Esse sabá, que ocorre entre o Solstício de Verão (Litha) e o Equinócio de Outono (Mabon), festa da primeira colheita, uma época de agradecimento aos Deuses por tudo o que colhemos. Agradece-se ao que foi bom e também ao que pareceu ruim, pois na religião Wicca crê-se que tudo o que acontece na vida faz parte no caminho evolutivo de cada um.

O nome Lughnasadh veio duma festa agrícola típica dos Céltico. Uma festa da colheita em honra ao deus céltico do Sol: Lugh (o maior guerreiro dentre os celtas, pois derrotou os gigantes que exigiam sacrifícios humanos).

Já o nome Lammas significa "Missão do Pão (loaf Mass)", que representa o alimento (geralmente pão ou bolo ou qualquer outra massa) feito com os grãos, que representam a colheita, e repartido (como alimento sagrado) entre os membros do coven ou da família ou mesmo entre amigos. Este nome vem do costume medieval de levar os primeiros pães (bolos, etc) para uma celebração.

Além da tradicional "Massa de Lugh", segundo a tradição da religião Wicca, nessa época são feitos bonecos de palha (de milho ou trigo) representando os Deuses, chamados de Senhor e Senhora do Milho. Esses bonecos são tidos como amuletos de proteção durante todo o ano, até o próximo Lammas, onde são queimadas na fogueira ou no caldeirão.

Na fogueira, os bonecos de milho do ano passado, juntamente com papéis contendo agradecimentos aos Deuses, são queimados; isso ocorre como uma maneira de lembrar aos wiccanos de que devemos queimar o passado e utilizá-lo como combustível para o nosso futuro.

As noites já começaram a ficar mais longas, desde o Solstício de Verão; aproximando-se a época da partida do Deus para a Terra do Verão, deixando a sua própria semente no ventre da Deusa, de onde renascerá (mantendo o eterno ciclo do nascer-morrer-renascer).

Em cada um dos 8 sabás da Roda do Ano na religião Wicca existem correspondências específicas para a composição dos rituais baseadas nos simbolismos de cada época.

Plantas e frutos:
Acácia, aloés, olíbano, nozes, cerejas, arroz, cevada, urze, murta, girassol, milho, aveia, trigo, amoras, maçãs, além de todos os grãos e frutos maduros da estação.

Comidas típicas:
 Pães caseiros, bolos de cevada, cordeiro assado, além de tortas e outros pratos feitos a partir dos frutos da estação.

Bebidas típicas: 
Vinhos, cervejas, chás e sidras, além de sucos e outras bebidas preparadas a partir dos frutos da estação.

Incensos:
 acácia, aloé, olíbano, rosa e sândalo.

Cores: laranja e amarela.

Pedras: aventurina, citrino, peridoto e sardônia.

Deuses geralmente representados:
 Lugh, Baco, Apolo, Rá, Ceres, Deméter, Mani, Urihi, Kupeirup, Iaçá, Danu, Gaia, Pele, Brigid, Uzume, e os demais deuses e deusas da colheita, fartura e proteção.


Fontes: Sabedoria das Bruxas – Rosa Maria Biancard
               Wicca, Crenças e Práticas – Gary Cantrell

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Discos de Dropas


Os Discos de Dropas

   

Sei que pelo título, e a imagem que precede este texto, parece mais uma propaganda de discos de um cantor do movimento hippie, mas não é! Este post vai falar sobre uma curiosidade muito intrigante a respeito da possível origem de povo oriental, mais precisamente Tibetano, embora possa estar relacionado também a Chineses e Mongóis. Para os interessados sobre a civilização chinesa e seus mistérios recomendo também esta postagem no blog: A Eterna Busca. E sobre outras origens recomendo esta outra postagem, do mesmo blog.

 Bom então vamos lá!

As Montanhas Bayan Kara Ula, são uma das áreas mais isoladas da Terra. A cidade mais próxima é Lhasa, no Tibete, a uma distância de 640 km ao sul, por um terreno inacessível. Atualmente está habitada por tribos de gente muito distinta dos povos ao redor. Autodenominados Dropas (ou Dzopa) e os Han, não se encaixam em nenhuma categoria racial estabelecida pelos antropólogos.
Esqueleto de um dos “alienígenas” Dropa 
encontrado nas cavernas de Byan-Kara-Ula.


Em primeiro lugar, são de pequena estatura. A altura média de um adulto é de um metro e vinte e cinco centímetros. São amarelos, suas cabeças são desproporcionalmente grandes, quase calvos e seus olhos são grandes e azulados, porém não de aspecto oriental. Seus traços são praticamente caucasianos, e seus corpos são sumamente delgados e delicados. O peso médio de um adulto é de aproximadamente 50 kg.

Em 1938, Chi Pu Tei, professor de arqueologia da Universidade de Beijin, conduzia alguns de seus estudantes em uma expedição a uma série de grutas que se entrelaçam nas montanhas de Bayan Kara Ula, entre as fronteiras de China e Tibet. Conforme entravam, deram-se conta de mais cavernas; era um sistema completo de túneis artificiais e despensas. As paredes eram quadradas e cristalizadas, como se o corte na montanha tivesse sido realizado com uma fonte de calor extremo. Dentro das grutas acharam sepulturas, com estranhos esqueletos. Estes esqueletos eram pequenos e delgados, e com crânios muito desenvolvidos.

A princípio se pensou, que as grutas havia sido um lar de uma espécie desconhecida de primata. Porém essa idéia se descartou ao encontra os esqueletos enterrados. O mesmo professor Chi Pu Tei disse: "Quem conhece algum Primata que enterra outro?”. Outros descobrimentos realizados nas grutas excluíram definitivamente a idéia de que estes eram de monos. Sobre as paredes havia pictogramas talhados do céu: o Sol, a Lua, as estrelas e a Terra com linhas de pontos que os conectavam. Porém faltava ainda o descobrimento mais fantástico de todos. Semi-enterrado, devido à sujeira da gruta, havia um disco de pedra, obviamente feito por uma mão de uma criatura inteligente. O disco teria 22,7 centímetros de diâmetro e dois centímetros de grossura, também tinha um buraco no centro, perfeitamente circular de dois centímetros de diâmetro. Dali surgia um sulco fino em espiral; havia caracteres escritos exteriormente. Este disco é datado entre 10.000 e 12.000 anos de antiguidade (muito mais antigo que as datações das grandes pirâmides do Egito). Entretanto não foi o único, no total haviam sido encontrados 716 pratos. E cada um com caracteres diferentes.

Os discos haviam sido etiquetados, junto com os restos dos achados da expedição, e guardados na Universidade de Beijin (Pequim), desde o dia de seu descobrimento. No decorrer de vinte e quatro anos, outras pessoas haviam tentado decifrar as estranhas inscrições nos discos, porém sem êxito algum.

Foi o professor Tyson um dos que, em 1962 se interessou pela editoria dos discos, e se propôs a decifrar o significado destes. Ele e seus colegas descobriram que os sulcos espirais não eram simples desenhos, mas também, uma escritura incrivelmente antiga, gravada de algum modo desconhecido e de um tamanho quase microscópico. Se isto for certo, seria a escritura mais antiga do mundo, já que, como exposto anteriormente, os discos tem uma antiguidade de 8.000 a 12.000. Para começar, o professor, com ajuda de uma lupa, foi transcrevendo, minuciosamente os caracteres do disco para um papel.

W. Saitsew, cientista russo em 1968 conduziu pesquisas nas pedras que revelaram certas peculiares. Foi ele quem descobriu a alta concentração de cobalto, e outros materiais. Estranhou que com a dureza do material conseguiram fazer inscrições sobre a pedra. Outro fato interessante foi ao verificar com osciloscópio, ficou num ritmo oscilante. A conclusão é que essas pedras são condutoras de eletricidade.

Particularmente, acredito que são fatos por demais destoantes, no que cerne a ordem cronológica do desenvolvimento da tecnologia, na civilização oriental. É um caso onde as evidências falam por si próprias, e acabam até mesmo por impedir outra interpretação (ou fuga de entendimento, frente a revelações tão bizarras).

É importante salientar que estes fatos ocorreram durante a revolução socialista na China e dada a grande tensão social e a intensa intervenção do Estado, vários dados coletados e discos desapareceram e nunca mais foram encontrados. É realmente triste perder as provas de tal revelação, ou será que oportunamente elas foram confiscadas, para manter o status quo da sociedade e permitir um estudo mais aprofundado do governo Chinês sobre tais evidências, em sigilo? Bom, a história nos mostra que nem sempre nos é revelado o que é real, e o que tornamos por real nem sempre o é. Assim, deixo livre a própria interpretação de cada um sobre o ocorrido, lembrando sempre de manter expandida nossa compreensão e interpretação sobre o universo que nos rodeia, a fim de evoluirmos juntos e podermos compreender um pouco melhor nossas origens e qual nossa função no cosmos. Cosmos e universo este que possivelmente ajudaremos a criar e construir em breve, tal como nos ajudaram a crescer e construir quando estávamos no princípio da criação de nossas sociedades.

Durante este processo, perguntas assaltaram o professor tais como: "Como pode um povo primitivo fazer uns discos tão exatos?"; "Como elaboraram uma escritura quase microscópica?” e "Quem eram e para quê fim produziram essas centenas de discos?". Uma vez que os caracteres dos discos foram copiados, o professor Tsum Um Nui e seus colegas começaram a árdua tarefa de tentar decifrar seu conteúdo. Finalmente, intercambiando desenho com palavras e frases, chegou a decifrar parte do código ou escritura. Feito isto, se dedicou a ordenar os discos, da forma mais coerente que pôde, e assim, fazer uma transcrição parcial. A história contada nos discos era simplesmente assombrosa.

Conforme ia estudando os discos de pedra, o professor anotava também certas perguntas como: "como pode um povo primitivo fabricar discos tão exatos na medida?", "como a escrita quase microscópica pode ser feitas na pedra?", "Por que foram feitos?", "Para que fizeram tantos discos?" e "Quem eram os seres que fizeram as pedras?" Depois de tudo copiado para papel, a equipe do professor Tsum Um Nui juntou tudo numa espécie de livro para depois tentarem traduzir o significado da estranha escrita. Foi uma tarefa muito difícil, uma vez que os símbolos não se parecem com nenhuma forma de escrita conhecida. E muitos das inscrições estavam apagados pela erosão, o que tornava mais difícil. E precisava colocar em ordem as pedras para poder ter certo sentido. Foi um processo demorado e nada fácil. Por fim, com muita dificuldade, fazendo suposições e imaginando significados, transformando alguns desenhos em palavras inteiras, ou mesmo frases completas, uma parte acabou formando uma suposta tradução plausível e lógica.  
Assim uma parte pode ser decifrada. Toda a tradução reunida pela equipe foi então traduzida para a escrita chinesa. Mas apenas uma pequena parte foi traduzida, a maior parte continua sem significado, na verdade ficou incoerente. A parte que pode ser traduzida é tão assombrosa que assusta pelo conteúdo. Tão assustadora que depois de traduzida foi recusada pela Universidade que se recusava a aceitar seu conteúdo. A Universidade de Pequim analisou suas pesquisas mas estimaram que os critérios de interpretação careciam de argumentação cientifica. Frustrado pela recusa de publicação, Tsum Ui Nui se exilou no Japão até sua morte, pouco depois.

Em 1965, inesperadamente, um artigo escrito pelo filólogo russo Vyacheslav Saizev, apareceu na revista alemã Das Vegetarische Universum, e na revista anglo russa, Sputnik, contando a história dos discos, sua composição, e um extrato sobre o que havia sido decifrado pelo professor Tsum Um Nui.

Segundo a publicação, os discos e as escritas somente poderiam ser feitos por meio mecânico e jamais poderiam sido feitos a mão devido a sua grande precisão. E isso há10.000 a 12.000 anos atrás. O maior disco tinha 3 metros de diâmetro e o mais leve tinha400 gramas. Após essas publicações, os cientistas chineses mostraram fotos dos discos Dropa que haviam sido feitos eram similares aos discos Bi, que foram encontrados aos milhares em várias regiões da China, principalmente na região sudeste. O governo sempre evitou a divulgação da descoberta de descobertas deste tipo, por isso pouco se ouvia falar sobre isso. Hoje em dia, ao se visitar a China, pode se ver e fotografar as pedras Dropa e pedras Bi em Museus. A diferença é que os discos Bi são pequenos, feitos de jade ou nefrita, com um pequeno orifício redondo ou quadrado no centro, e não têm hierógrafos como os discos Dropa. A maioria dos discos Bi é do período Neolítico (século XXX a.C.) e foram encontrados antes do período da dinastia Shang. Já os discos Bi datado depois da dinastia Shang tinham inscrições de dragões, peixes e serpentes e usados em cerimônias rituais. Já os discos Bi encontrados no período Neolítico estavam em tumbas, enterrados debaixo das cabeças ou pés dos defuntos. Nenhum disco Bi tem caracteres, nem sulcos em espiral como os discos Dropa.

Já os discos Dropa têm propriedades exclusivas com alta concentração de cobalto e outros materiais que conferem às pedras uma dureza maior do que normal. Mais uma peculiaridade que os torna tão especiais. Os discos Dropa são mais resistentes do que granito, indicam uma tecnologia avançada em um tempo tão remoto. Isso reforça ainda a teoria de que para gravar as pedras era necessário maquinário e tecnologia que não existia há 12.000 anos. Mais uma vez a única explicação seria equipamentos que teria sido trazida na espaçonave dos Dropa. E mais ainda pelo reduzido tamanho em que foram escritos. A parte ordenada e decodificada conta a história de uma máquina de viagem intergaláctica (nave espacial) que foi obrigada a pousar neste planeta, justamente nas montanhas de Baian Kara Ula. Os tripulantes interplanetários eram os Dropa (Na língua chinesa, no dialeto Mandarim se pronuncia Djo-Pah). Provenientes de um universo distante e também tendo seu transporte sido danificado, tiveram que fazer uma aterrissagem forçada. O local da aterrissagem foi exatamente perto das montanhas, e com a nave estragada, não podiam mais voltar. Sua máquina voadora estava por demais danificada e não podia mais levantar vôo e não encontraram aqui material para concerto. Teriam de ficar no planeta e tentar sobreviver. Parecia que não podiam se comunicar com o planeta de origem.

Assim os Dropa resolveram se refugiar nas montanhas. Havia machos, fêmeas e crianças. E viveram nas grutas e fizeram as galerias das cavernas, onde fizeram as inscrições na parede e fizeram os discos de pedra contando o ocorrido. Suas intenções eram pacíficas. Tentaram contato com os habitantes do planeta, mas não foram compreendidos. Os humanos que os viram os confundiram com demônios inimigos e armados de lanças os caçaram e mataram a maioria deles.  Pois a aparência dos Dropa era feia e repugnante. E causava temor aos humanos. Pois nunca haviam visto seres com aquela aparência e não compreendiam sua linguagem. Os confundiam com demônios das antigas crenças religiosas. Os humanos que os Dropa tentaram contatar eram os nativos da tribo Han, que também habitavam em cavernas. Mas em cavernas das montanhas vizinhas. Os Ham os consideravam inimigos que estariam tentando invadir o seu território. Depois de varias tentativas, finalmente os Han compreenderam através de desenhos feitos pelos Dropa e enviados para eles sem que vissem. Por fim, após diversas tentativas de comunicação, os Han conseguiram entender as finalidades pacíficas dos Dropa. Foram admitidos pelos Han e convidados ao seu território. Assim os Dropa sobreviventes puderam viver juntamente com os Han até que todos morreram e foram enterrados nas cavernas onde viveram. Seja qual for à verdade por trás das pedras Dropa, os estudiosos e pesquisadores continuam fascinados com sua existência. A alta concentração de cobalto e a alta dureza delas aumentam o mistério acerca destes objetos. Arqueólogos e Antropólogos continuam tentando saber mais do seu significado. A sua origem continua desconhecida.

As maiorias dos especialistas não aceitam a tradução feita por Tsum Um Nui, acreditando que ele foi influenciado por um dos diversos mitos que é sempre contado na China, onde contam que os antigos povos vieram de outras estrelas. Alguns mitos simplesmente contam que navios vindos das estrelas trazendo estranhos seres de barba branca e longa (é bom lembrar que os chineses não têm barba, no máximo tem barbicha e bigode), carecas e de olhos grandes vieram a terra e ensinaram a escrita, o cultivo do bicho da seda, as técnicas de cultivo, a utilização do fogo, uso de ervas curativas e criação de animais.  Depois voltaram para seus navios e voltaram para as estrelas de onde tinham vindo. Tsum Um Nui é a tradução para o chinês de um  nome em japonês. Outros continuam afirmando que as pedras dropas são a prova que os extraterrestres possam ter influenciado o progresso da civilização terráquea. Outros que a Terra era habitada por seres extraterrestres e sua cultura influenciou os humanos. E que as pedras Dropa seriam a primeira evidencia da sua presença no planeta.

Os chineses dizem que sua civilização foi fundada por Fu Xi ou Fu-Hsi (Taihao, Grande Luminoso e Paoxi), há cinco mil anos. Assim como em outras civilizações sua irmã, também era sua esposa, e tinha o nome Nu Wa ou Nu Kua. A ela é atribuída à criação da humanidade. É atribuído a Fu Xi a invenção da escrita, da caça e pescaria, do sistema de trigramas e hexagramas do Livro das Mutações (I-Ching). A disposição específica dos hexagramas, chamado de Disposição de Fu xi, é idêntica ao sistema de números binários (zeros e uns), introduzida na Europa e que é atualmente utilizado como a base de matemática moderna.
Fu Xi e Nu Kua

            Fu xi, senhor dos céus, civilizador e sábio, dono de um grande conhecimento. Nu Kua, mãe da China e criadora da humanidade. Apesar destes grandes atributos, sua aparência não agradaria a maioria das pessoas: ambos tinham corpo de serpente, cabeça de homem (isso mesmo) e virtude de sabedoria. Em representações mais recentes, Nu Kua aparece com cabeça de mulher. Huangdi, imperador amarelo, considerado o primeiro soberano da China, veio do céu em um dragão. Ele tinha o poder da luz (sabedoria), e podia voar em seu dragão no momento em que bem entendesse, assim como o leitor tem seu carro na garagem. Seu dragão voava pelo céu em impressionante velocidade, e no fim, em sua grande despedida, o grande dragão amarelo o levou embora para céu, do qual nunca mais voltou.

 Bom, sobre a origem do ser humanos, ou de determinados povos, há diversas teorias, mas qual será a verdade? Algum dia chegaremos conhecer a nossa real origem?

Só o tempo nos dirá...

Abraço a todos,                 
                                    Raphael Convoitise



Fonte: http://aborigine42.blogspot.com/search/label/China 
          http://carolinecabus.vilabol.uol.com.br/translations/26032007dropas.htm
          http://www.dominiosfantasticos.xpg.com.br/id333.htm

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Hathor - Deusa do Amor e do Júbilo

Hathor – Deusa do Amor e do Júbilo



Hathor era uma das Deusas mais veneradas do Egito Antigo, tanto pela realeza quanto por cidadãos comuns, em cujas sepulturas ela é descrita como a “Senhora do Ocidente”.

Era a Deusa das mulheres, das mães (costumava-se inclusive invocá-la durante os partos), dos céus, do amor, da dança, do vinho e da necrópole de Tebas, pois era ela quem acolhia os corpos e velava pelos túmulos e pelas almas.

O culto a Hathor é um dos mais antigos do Egito, antecede ao período histórico, e as raízes da veneração à Deusa são, portanto, difíceis de serem apontados, mas a origem mais aceitável vem da teoria de que o culto se desenvolveu na pré dinastia, quando veneravam a fertilidade e a natureza em geral, cujo principal símbolo eram vacas. Hathor costuma ser representada como uma vaca divina, com chifres sobre sua cabeça, entre os quais está um disco solar com um Uraeus (a naja que vemos comumente a adornar a cabeça dos faraós e templos egípcios, era o símbolo da proteção, invencibilidade e imortalidade).

Hathor pode ter sido a mesma Deusa-vaca que é representada desde os tempos mais arcaicos, como na paleta de Narmer (um dos mais antigos registros hieroglíficos conhecidos até hoje) e sobre uma urna de pedra que data da primeira dinastia egípcia, e que sugere seu papel como Deusa Celestial e uma possível relação com o Deus Hórus, Deus do Sol, que faria sua “morada” nela, daí o nome Hathor que em egípcio antigo quer dizer “Casa de Hórus”.

Os antigos egípcios viam a realidade como consistindo de camadas múltiplas, nas quais as divindades se misturavam de diversas formas e por diversos motivos, mantendo atributos e mitos distintos e divergentes, mas que não eram entendidos como contraditórios e sim com complementares. Por isso encontraremos definições de Hathor como sendo Mãe, Filha ou Esposa de Rá, como Ísis e por vezes é descrita como mãe de Hórus, e associada à Bast.

Hathor tinha uma relação complexa com Rá; em um mito a vemos como sendo seu olho, e representada como sua filha, porém quando Rá assume o papel de Hórus em relação à monarquia ela passa a ser considerada sua mãe, absorvendo o papel de outra Deusa-vaca, Mehet-uret, ‘Grande Enchente’, que tinha sido mãe de Rá em um mito de criação e o carregado entre seus chifres. Nesta nova representação como mãe de Rá, dava a luz a ele toda manhã no oriente e, como sua esposa, o concebia através da união noturna.

 Quando Hórus passou a ser identificado com Rá, no panteão egípcio, sob o nome de Ra-Horakhty, a posição de Hathor passou a ficar pouco clara, já que em certas versões posteriores do mito ela seria a esposa de Rá, porém nas versões mais arcaicas ela era a mãe de Hórus. Diversas tentativas de resolver este problema deram a Ra-Horakhty uma nova esposa, Ausaas, para contornar o problema de quem seria a esposa de Ra-Horakhty, e Hathor passou a ser identificada apenas como a mãe do novo deus-sol. Isto deixou, no entanto, em aberto uma questão sobre como Hathor poderia ser a sua mãe, já que isto implicaria que Ra-Horakhty seria um filho de Hathor, e não o seu criador. Estas inconsistências foram desenvolvidas à medida que o panteão egípcio foi sendo alterado, ao longo de milhares de anos, e se tornou 
extremamente complexo; algumas nunca chegaram a ser resolvidas. Em certas regiões onde o culto a Thoth adquiriu força, este passou a ser identificado como o criador, o que o transformou em pai de Ra-Horakhty; nesta versão Hathor, como mãe de Ra-Horakhty, passou a ser descrita como esposa de Thoth. Nesta versão daquela que é conhecida como a cosmogonia Ogdóade, Ra-Herakhty era representado como uma criança jovem, frequentemente chamada de Neferhor. Quando era considerada a esposa de Toth, Hathor costumava ser representada como uma mulher amamentando seu bebê. Como Seshat havia sido considerada anteriormente a esposa de Toth, Hathor passou a ser descrita com diversas das características de Seshat, como a sua associação com registros e sua atuação como testemunha no julgamento das almas no Duat; estes atributos, juntamente com sua posição como deusa de tudo que era bom, fizeram que com que passasse a ser descrita como (aquela que) expulsa o mal (Nechmetawaj, Nehmet-awai ou Nehmetawy, em egípcio). Nechmetawaj também pode ser traduzido como (aquele que) recupera bens roubados, e assim, nesta forma, tornou-se a divindade dos bens roubados. Além do culto a Toth deste período, também se considerava importante manter a posição de Ra-Herakhty (ou seja, Rá) como auto-criador (através das forças primitivas da Ogdóade). Assim, Hathor não podia ser identificada como mãe de Ra-Herakhty. Seu papel no processo da morte, de receber os mortos recém-chegados com comida e bebida fizeram com que passasse a ser identificada, em determinadas ocasiões, com uma esposa de Nehebkau, guardião da entrada do mundo inferior e aquele que atava o Ka. Ainda assim, nesta forma, ela manteve o nome de Nechmetawaj, já que seu aspecto de divindade que devolvia os bens roubados era tão importante para a sociedade que foi conservado como um de seus papéis. Bolas votivas de faiança costumam ser associados a esta divindade, embora o significado preciso desta relação ainda seja desconhecido.

Hathor possuía ainda uma representação sob forma terrena chamada Hesat, que também vista como esposa de Rá.
Nesta qualidade de versão terrena da deusa-vaca, dizia-se que o leite era a cerveja de Hesat (cujo nome significava "leite"). Como vaca leiteira, Hesat era considerada a ama-de-leite dos outros deuses, aquela que cria todo o alimento. Assim, era retratada como uma vaca branca que portava uma bandeja de comida sobre seus chifres, com leite escorrendo de suas tetas.

Nesta forma terrena também era, dualisticamente, a mãe de Anúbis, o deus dos mortos - já que, como responsável por alimentar, ela traz a vida que Anúbis, como a morte, se apodera. Como a manifestação terrena de Rá era o touro Mnévis; os três, Anúbis como o filho, Mnévis como o pai e Hesat como mãe, foram identificados como uma tríade familiar, e cultuados como tal.

Essencialmente, Hathor havia se tornado uma deusa da alegria, e como tal era amada profundamente pela população em geral, e reverenciada especialmente pelas mulheres, que aspiravam personificar seu papel multifacetado de mãe, esposa e amante. Nesta condição, ela conquistou os títulos de Senhora da Casa do Júbilo e Aquela que Preenche o Santuário com Alegria. O culto a Hathor era tão popular que diversos festivais eram dedicados à sua honra - mais do que qualquer outra divindade egípcia - e mais crianças recebiam o seu nome do que qualquer outra divindade. Até mesmo o sacerdócio de Hathor era incomum, na medida em que tanto homens quanto mulheres podiam se tornar seus sacerdotes. 

Uma das principais festividades se dava em Dendera, onde ergueu-se, no templo ptolomaico, um imponente templo em sua honra, que a deusa deixava, anualmente, para, após uma prolixa viagem através do Nilo (em que o seu temperamento bravio era suavizado por músicas e bebidas) consumar o seu divino casamento com o deus- falcão Hórus, que a aguardava em Edfu (cidade situada a cerca de cento e sessenta quilômetros a montante do Nilo). Esta diligência mítica, que mantinha Háthor afastada da sua morada durante cerca de três semanas, era celebrada pelos egípcios com um festival alegre e faustoso. Procurando reproduzir o trajeto executado pela deusa, a solene procissão seguia então pelo rio, rasgando com uma barca (“A Bela de Amor) onde, detentora de um fastígio inigualável, uma estátua de Háthor se elevava. Concomitantemente, os sacerdotes de Edfu preparam o encontro dos esposos, que ocorrerá no exterior do santuário, mais exatamente numa exígua capela localizada a norte da cidade. Este encontro deveria suceder num momento preciso, ou seja, à oitava hora do dia da lua nova do décimo primeiro mês do ano. Quando por fim Háthor abençoa Edfu com a sua magnífica presença e perfuma aos lábios de seu esposo com o incenso de um beijo, iniciam-se então as festividades, no decorrer das quais a deusa é aclamada, saudada e inebriada com a música docemente tocada em sua honra. Não era, pois Háthor a “Dourada”, a “Dama das Deusas”, “A Senhora” e “A Senhora da embriagues, da música e das danças”?
Seguidamente, os esposos separam-se e ocupam as suas barcas, para que o cortejo possa dirigir-se para o santuário principal, onde os sacerdotes puxam as embarcações para fora de água e instalam-nas no recinto. Uma vez mais acompanhada por seu marido, Háthor saúda então seu pai, o Sol, que ao lado de Hórus velava por Edfu, como referem os inúmeros textos encontrados: “ela vai ao encontro de seu pai Rá, que exulta ao vê-la, pois é o seu olho que está de volta”. Terminado este encontro, tão lendários esponsais são enfim celebrados, prometendo, entre suntuosos festejos, os dois deuses a divinas núpcias de luz. No dia seguinte, dá-se início a uma faustosa festa, que se demora pelos catorze dias do quarto crescente, num período de tempo marcado por um rol quase inefável de ritos, sacrifícios, visitas a santuários, celebrações, solenidades, entre outros eventos. Um grande banquete, no fim do qual se dá a separação de Háthor e Hórus consagra o fim das festividades.

Gente, esta pesquisa sobre a Deusa Hathor me deixou com uma imensa dor de cabeça, demorei um bom tempo para entender este emaranhado de representações e ainda tem coisas que não consegui entender (não é pra menos, né? Afinal, acho que ninguém conseguiria entender toda uma cultura milenar em algumas horas, não é mesmo? ^^). Bom, mas o fato é que ela é uma deusa de Alegria, Maternidade, Amor e é aquela que alimenta todos os seres, por isso sempre foi muito amada pelo povo egípcio.  Quem quiser trabalhar com esta Deusa do verdadeiro Amor e da felicidade e/ou quiser fazer-lhe o pedido para ser feliz a dois, peça que ela te coloque junto daquela pessoa destinada a te fazer feliz, que você também seja o par ideal desta pessoa, que seja uma união abençoada no espírito e no visível, pois é ela também responsável por um conceito egípcio das almas bipartidas ou almas gêmeas. Ela só nos pede para sintonia, incensos. Era comum no Antigo Egito que fossem de açafrão de marsala (a erva do amor verdadeiro). recomendo  também incenso de Lótus e Amor Perfeito, a todos ela responderá com grande satisfação, creio eu.


Representação de Hathor, Museu do Cairo

Parede Interna do Templo de Dandara

Paleta de Narmer

Templode Dandara



Um Grande Abraço,

                                               Raphael Convoitise

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